125cc Como comecei…

Que as duas rodas são um excelente meio de transporte no dia a dia ou que são um bom escape da realidade depois de uma semana de trabalho ninguém duvida, aquilo que muitas vezes as pessoas não sabem é o que é viver o “espírito motard “no dia a dia (5 dias por semana, 253 dias por ano).

“espírito motard”

perdemos demasiado tempo a falar nele e acabamos por mais uma ou outra palavra mal escrita dar a ideia que por vezes uns são mais “MOTARDS” que outros… em

http://motosedestinos.forumeiros.com/t1444-o-espirito-motard

Eu confesso, foi só depois de ter feito contas ao meu consumo de combustível anual nas minhas deslocações diárias que comecei a procurar alternativas ao uso do automóvel, primeiro comprando carro a diesel (durante cerca de 4 anos) e depois a troco de um veículo em fim de vida voltei a pensar nas duas rodas como alternativa ao automóvel. E assim no ano de 2011 recebi em troca de um veículo que tinha para peças uma velhinha e muito gasta YAMAHA DT50

E foi assim que tudo começou já depois dos 30, os primeiros quilómetros, as primeiras avarias, as primeiras viagens á chuva sem o equipamento apropriado, mas com mais dinheiro no bolso ao fim do mês.

Começar, ou melhor recomeçar a andar de mota leva o seu tempo e foi graças a esta pequena japonesa fiz o meu caminho de regresso ás duas rodas. Para quem esteja interessado deixo este link para mais informações.

10 conselhos para os recém chegados ao mundo das motos em:

https://www.andardemoto.pt/moto-dica-longas/38091-10-conselhos-para-os-recem-chegados-ao-mundo-das-motos/#

Existem muitos que dirão que as 50cc e as 125cc são para quem anda a aprender a andar de mota mas na verdade elas são muito mais do que isso, uma vez que são muitas vezes sujeitas a certos abusos que quem tem uma mota para “gente crescida” normalmente não faz, basta procurar alguns vídeos no youtube para verem do que falo.Pouco tempo depois de começar a circular com a velhinha DT50 (alguns meses) esta começou a mostrar estar definitivamente a caminhar para o final de vida, e depois de falar com um mecânico de confiança foi retirada de circulação sendo que nessa altura eu fiquei entre duas opções: equipar o carro com GPL ou comprar uma outra mota com a qual pudesse continuar a evoluir o gosto pelas duas rodas. A tentação por equipar o carro com GPL seduzia-me pela comodidade e conforto, mas já era tarde demais para largar a mota. Por isso procurei uma 125cc que estivesse no meu orçamento e com poucos dias de diferença tanto eu como o proprietário da mota que acabei por comprar estivemos no mesmo stand um para vender e o outro a comprar.

E assim em Março de 2012 eu tornei-me dono desta menina que passou por vários proprietários antes de mim, esteve mais tempo parada do que na estrada, mas nas minhas mãos nunca mais teve descanso.

Na altura estava demasiado entusiasmado, (criança com brinquedo novo) para fazer pesquisa ou informação sobre a melhor forma de conduzir em duas rodas ou como melhorar o equipamento uma vez que agora poderia conduzir a uma velocidade superior e o resultado do excesso de confiança foi como não poderia deixar de ser 6 meses depois de começar a circular ter tido o meu primeiro acidente, onde embati contra um automóvel que fazia inversão de marcha depois de encostar na berma. A falta de cuidado e de calma quase me custava a vida pois acabei por ser projectado por cima do carro acabando por cair no asfalto quente e duro. Felizmente usava casaco, luvas e botas para além do obrigatório capacete, o que acabou por me salvar de lesões graves tendo apenas ficado um pouco dorido.

Nessa altura ponderei, como muitos fariam em colocar um ponto final nesta aventura nas duas rodas, mas como sou resiliente e tento ver as coisas pelo lado positivo decidi não desistir e ainda bem que não o fiz pois muitos mais quilómetros foram percorridos com sucesso desde então. Andar de mota acabou por ser algo que me ajudou bastante na moldagem da minha personalidade, uma vez que ao continuar a utilizar a mota no dia a dia eu alimentei o meu nível de concentração e atenção ao detalhe, sobretudo depois do acidente fazendo assim um caminho de evolução, quer em cima da mota quer fora dela. Não! Não tem a comodidade e o conforto de um carro e quando passo uma semana inteira a andar de baixo de chuva ou com temperaturas muito baixas, correndo o risco de ter de novo um acidente como aconteceu em Dezembro passado penso porque o faço?

Conclusão: Não tenho uma resposta exacta para dar, aquilo que sei é que para além de adorar andar em duas rodas também gosto da economia (falarei sobre isso noutro post) e de todo um ritual de preparação antes e depois de subir para cima da mota, faz-me sentir de certa forma nervoso antes de sair á estrada mas muito vivo quando chego ao destino final, quer seja uma simples viagem de casa para o trabalho ou um passeio de fim de semana.